sexta-feira, 2 de maio de 2014

Na piscina



Ao chegar, me deparo com a imensidão pintada de azul e cloro. O cheiro me agrada, mas nem me causa espanto. No barulho das guelras humanas, que se debatem na água com o mesmo desespero urbano que tenho, porém não sei onde despejar. Ansiedade Líquida. 
Eu não vejo quem nada como alguém muito bem equilibrado, minucioso. Vejo pessoas carregadas, que convertem o peso de serem humanas na leveza das braçadas dadas. Idosos buscando paz, jovens buscando algo que não sei. Crianças, ahh, essas sim são leves, peixinhos que fazem glub glub e não possuem medo de se afogar. Minha tentativa de nadar se deu quando tinha 5 anos. Me afoguei e decretei que nunca mais me afogaria, que nunca mais tirava os pés do chão.Se hoje sou o que sou,foi porque não levei a sério o decreto.Credo.
No mais, escrevo isso porque não tenho pressa. E quem nada, também não. Vejo homens conceituados, alongando seus corpos viris com toda a delicadeza de pétala.Fazem da piscina um canto sagrado, e do mergulho uma meditação. Talvez eu não saiba mergulhar porque não quero atingir mais nenhuma profundeza de mim.


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