sexta-feira, 16 de maio de 2014

ensaio sobre o amor e o ódio

"São dois irmãos que brincam de matar e morrer. e em cada morte, há vida no outro. heróis, vilões, dualidade no viver. em cada lado desse espelho, eu vejo entrega. não dá para sentir pela metade,dois, quase um só. ainda dois. dois irmãos, um mata, outro morre. e um adora matar, tomado pela ação, impulso, pulso, corta-se. ódio. é o ódio, que te mata e o faz sem ver. ódio é coisa de homem-bicho, homem-verme, pré-humano. já fomos. e ainda brincamos de ser. quando sonhamos em portar armas, controlar impérios, batalha naval. sou rei, rainha, quero ter, quero ser, ainda sou, sempre fui, você não. sou a causa. eu-caos. o outro irmão, espera a sua vez no jogo. não veio pra matar, já trouxe consigo o peso da redenção. sabe doer. sabe abrir mão, desabrochou sem pressa. nosso outro lado da moeda. é o lado insustentável da leveza do ser. é quando descansamos o gatilho da palavra. amor. sou tomada pelo verbo, e me torno verbo. é mais o outro, empatia. são dois, muito vivos. tal como eu, um dia morre um, outro dia mata o outro, rio e choro, com máscara ou sem, cuspindo ou engolindo poesia, verdade, silêncio. e quanto mais brinco de viver os dois irmãos, mais descubro o quanto os dois podem ser um só. só?"

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